HUMANISMO.

NEM COMUNISMO, NEM IMPERIALISMO.
Francisco Calasans Lacerda
SINTHORESP – PALAVRA DO PRESIDENTE DO MÊS DE SETEMBRO DE 2014.
Dizem os estudiosos que Sócrates, o pensador grego, após profunda análise sobre o comportamento dos animais, teria chegado à conclusão de que o homem é um animal social, por natureza. O ser humano, portanto, não é capaz de viver isolado dos demais de sua espécie. Ora, sendo isso verdadeiro, tem-se que esse animal depende da ajuda de seus semelhantes e, institivamente, se dispõe a colaborar quando poder para receber colaboração quando precisar. Eis ai a maneira mais simples de se explicar o convívio social. Pela via da lógica chega-se também à conclusão de que pode haver seres humanos cuja inteligência seja inferior ao instinto animal de sua própria espécie. Partindo-se da reflexão feita pelo sábio grego, percebe-se que esse convívio coletivo é comandado por uma convicção que, necessariamente, na língua portuguesa, deve ser chamada de SOLIDARIEDADE. Eis aí a essência daquilo que acima chamei de “ajuda de seus semelhantes”. Verdadeiramente, o indivíduo desprovido do sentimento de solidariedade, o egoísta, portanto, não é propriamente um humano, se Sócrates tiver razão. Evidentemente, para se construir uma sociedade justa e fraterna há que se buscar a participação de humanos, não para se excluir os EGOISTAS, os não-humanos, mas para posteriormente amoldá-los, fazendo-os evoluir até se tornarem humanos. Por este método chegar-se-á ao Estado Democrático de Direito, que é a consagração da evolução humana, o objetivo maior sonhado e buscado. A humanidade é composta, destarte, pelo grupo de animais sociais, que são os ALTRUISTAS e de outros tipos de animais de aparência física semelhante, porém dotados de instinto inferior, quais sejam os EGOISTAS. Estes, dotados de uma sagacidade demoníaca, historicamente têm conseguido infiltrar-se no comando para desviarem os ALTRUISTAS do rumo por eles traçado. À medida que essa infiltração egoística cresce, impõe arrefecimento ao esboço de sociedade justa e fraterna. Significa, portanto, que a violência ora reinante, que é o avesso de sociedade justa e fraterna, é fruto da atuação dos EGOISTAS que são animais inferiores que ainda não atingiram o nível evolutivo dos humanos ou ALTRUISTAS.
Pois bem: no âmbito da organização sindical brasileira, vê-se nitidamente a atuação nociva desses animais inferiores, até mesmo nas instituições que teriam de ser o sustentáculo do ideal de sociedade justa e fraterna, isto é do Estado Democrático de Direito. Com efeito, patrões estimulam seus empregados a não contribuírem e até a abominarem o seu sindicato de classe para poderem explorá-los. Sem atentar para a natureza de ordem pública das normas do direito trabalhista, donde emana o princípio da IRRENUNCIABILIDADE de direito pelo obreiro, – em face da flagrante diferença entre as partes no contrato de trabalho, – tribunais superiores dão interpretação ao Inciso V, do Art.8º, da CF, por exemplo, fingindo estar agindo em defesa do indivíduo, atribuindo-lhe plena liberdade para enfraquecer o seu sindicato profissional, ao adotarem o entendimento de que a liberdade de filiar-se ou de manter-se filiado a sindicato implica liberdade para não atender ao comando da assembleia sindical no tocante à contribuição espontânea ali deliberada. Com isso estimula-se o EGOISMO, já que o indivíduo tem o direito de faltar à SOLIDARIEDADE quanto à contribuição, mas, sem que se lhe retire o direito de participar dos demais itens aprovados pela mesma assembleia geral, de que podem resultar conquistas para a classe. DOAR, NÃO! RECEBER, SIM! A liberdade não pode ser nociva a ponto de se admitir que o indivíduo seja livre para não pagar impostos e ao mesmo tempo tenha o direito de usufruir dos serviços do Estado: segurança, saúde, educação, etc. Eis ai a prova de que nossa sociedade não é ainda plenamente humana e isso significa infiltração maciça dos não-humanos, de instinto egoísta, e longa distância do sonhado Estado Democrático de Direito que, necessariamente requer a atuação da inteligência do ANIMAL SOCIAL de Sócrates.

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