BODAS DE OURO.

COISAS BONITAS DE UMA “BODAS DE OURO”.

Os meus amigos certamente irão me chamar de “VOVÔ CORUJA”. Entretanto, são capazes de compreender a minha grande satisfação em ver essa história sendo contada por meu primeiro neto, demonstrando uma capacidade de redação extraordinária.

“O casamento tal como é, é uma coisa estranha, mas afinal de contas, ainda não se achou coisa melhor.”

AMIEL (Henri Fréderic)

 

Vejam, meus amigos:

História de Francisco e Nelsi

Escrita pelo neto primogênito Victor Augusto

Há muito tempo atrás, na pequena cidade de Mirandela, viviam dois jovens amigos, um menino e uma menina conhecidos como Francisco e Nelsi. Os dois passaram a infância juntos, visto que os pais dos dois eram amigos, além do fato de que o pequeno tamanho da cidade permitia que quase todos os moradores conhecessem um ao outro.

No entanto, Francisco, em 1955, teve que se mudar para a grande cidade de São Paulo, onde teria que trabalhar para ajudar no sustento da família. Sendo assim, Francisco e Nelsi passaram o resto da infância e o começo da adolescência distante um do outro.

Porém, já quase adulto, Francisco voltou à cidade de origem para passar as férias e pôde reencontrar Nelsi. Foi a primeira vez que o rapaz a viu crescida, como uma bela moça e, então, foi “amor à primeira vista”. Sem pensar duas vezes, Francisco se declarou a Nelsi e ela, em resposta, disse que era recíproco.

Sendo assim, no dia 19/01/61, começaram a namorar, mas nos primeiros cinco anos apenas por cartas, devido à distância que os separava. A cada quinze dias, Francisco recebia cartas de sua amada e as respondia com o mesmo carinho que as lia, fato que fez com que a diretora do colégio de Nelsi lesse uma das correspondências, para se certificar que a moça estaria namorando um bom rapaz, e estava.

Fortemente apaixonados, os dois começaram a namorar já pensando no casamento, mas fizeram um acordo que estipulava que só iriam realizar o matrimônio quando ambos se formassem. Assim, um ajudava o outro nos estudos para garantir que o casamento não fosse adiado nem por um minuto. Contudo, Francisco, que estava no primeiro ano de contabilidade, teve que interromper seus estudos, para poder focar no trabalho e no sustento de sua família. Ele retomaria os estudos tempos depois, ao entrar na USP.

Passados os tempos de estudos de Nelsi e sua formatura, havia chegado o grande dia. Aquele 20 de janeiro de 1966, um dia depois do aniversário de namoro, seria marcado pela união do belo casal de Mirandela. E como haveria de ser, o casamento foi realizado na pequena cidade natal dos dois, com uma belíssima festa. Havia muita comida e bebida, alegria por todo o lado, até o primo de Francisco apareceu de surpresa com seu conjunto musical, tornando a festa mais completa ainda.

No entanto, num ato de extrema insensibilidade, o responsável pela cidade cortou a eletricidade do local exatamente no momento da festa, deixando todos no escuro apenas por motivos políticos. Contudo, para salvar a festa, os amigos, vizinhos e familiares do casal correram imediatamente para suas casas para buscar seus lampiões de gás e iluminar novamente o evento, fato que demonstrou como as pessoas gostavam de Francisco e Nelsi.

Após o grande dia do casamento, o casal rumou para São Paulo, com o intuito de construir suas vidas na grande capital paulista. Chegando lá (ou melhor, aqui), passaram por algumas dificuldades de adaptação, Nelsi teve que se adaptar à Secretaria de Educação de São Paulo e Francisco retomaria seus estudos. Os dois lutaram e, juntos, venceram: ela foi fazer Pedagogia e ele entrou na USP.

Então, em março de 1967, veio mais uma alegria para o casal, nasceu o primeiro filho, Antonio Carlos. Para ajudar o casal a cuidar do filho, o pai de Nelsi mandou sua outra filha à São Paulo, Marluce era o nome da moça. Esta se encantou com São Paulo e não quis mais voltar. Viveu com o casal por sete anos, que a recebeu de braços abertos, até encontrar seu futuro marido, Zé Carlos (mas essa é outra história).

Neste período, veio a outra maior alegria dos dois, mais um filho, agora uma menina, a pequena Ana Emilia. Francisco e Nelsi sempre se preocuparam muito com a educação dos filhos, focados em formar grandes adultos, coisa que conseguiram com o apoio mútuo.

Então, com o crescimento dos filhos e a chegada de mais parentes vindos da Bahia, Francisco e Nelsi conseguiram, com sua perseverança, luta e amor, formar a bela família que se vê atualmente e que hoje comemora os cinquenta anos dessa belíssima união.

 

Victor Augusto Boni Lacerda

 

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