Quem sou eu

 

 Francisco Calasans Lacerda

* por Valda Carrara

Em janeiro de 1955, com 18 anos completos, Francisco Calasans Lacerda che­ga em São Paulo. Por conta do que aprendera com o pai, foi trabalhar numa alfaiataria. Seis meses depois, foi incorporado ao Exército Brasileiro, do qual é reservista de 1ª Categoria.

Logo depois seu pai morreu, aos 52 anos de idade, deixando a viúva e seus quatro filhos, dos quais o mais velho tinha pouco mais de 12 anos. Era época de uma seca brava nos sertões e como a família dependia primordialmente da alfaiataria, com o pai doente os recursos minguaram.

Situação dificílima para uma mulher que se habituara a receber tudo do marido”, conta Calasans, emocionado. “Meu pai nunca lhe exigiu serviço pesado, como lavar roupa, por exemplo. Ele era um homem de tanta sensibilidade humanística, que sua pequena casa de negócio foi praticamente distribuída entre as pessoas mais necessitadas do lugar, pois vendeu tudo fiado, sem a menor perspectiva de receber qualquer coisa naqueles dias difíceis. Ao morrer, deixou dívidas que ameaçavam minha mãe de perder sua própria moradia”.

O soldo que recebia no Exército correspondia, à época, a 20% do salário míni­mo vigente, coisa de Cr$ 210,00 (cruzeiros). “Precisava ajudar minha mãe! Assim, aproveitava o meio expediente, às quartas feiras e finais de semana, e corria do Cambuci para Santo Amaro, para trabalhar na alfaiataria. Não tinha despesa com alimentação, alojamento ou transporte e, deixando de fumar, poderia economizar o soldo inteirinho. Foi o que fiz, para poder mandar tudo, absolutamente tudo, para minha mãe. Era o que tinha aprendido com Mestre Abílio, meu pai”.

Assim que deixou o Exército, Calasans foi trabalhar como copeiro no Hotel Jaraguá, em julho de 1956. “Sem prejudicar o sustento da família, que quis o destino, coubera a mim, procurei dar continuidade aos meus estudos. Antes disso, tinha ido ao Nordeste uma vez para saldar a dívida de meu pai e assim garantir o teto para minha família. Aqui em São Paulo fiz novamente o quinto ano, prestei o exame de admissão que havia naquela época e entrei no ginásio no famoso Colégio Oswaldo Cruz, de onde saí para estudar contabilidade no Colégio Álvares Penteado”.

Quando já era presidente do Sindicato da sua categoria profissional, perce­bendo a necessidade e a importância do estudo da legislação, ingressou na mais famosa de todas as faculdades de direito do país: a velha academia de Direito do Largo de São Francisco, local de estudo de alguns presidentes do Brasil, poetas, jornalistas e escritores de todos os tempos. Nunca mudou de emprego: sempre foi funcionário do Hotel Jaraguá, da Horsa Hotéis Reunidos. Sua CTPS não contém baixa, porque se aposentou como juiz classista, no curso do contrato de trabalho, que se encontra interrompido enquanto permanecer na direção do Sinthoresp.

Um comentário em “Quem sou eu

  1. Paulo Saldanha disse:

    Presidente Calasans,
    Parabéns por ter aberto mais um canal de comunicação.
    Já se fazia necessário um espaço como este.
    Desejo-lhe saúde e paz, para que continue no leme desta casa.

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